Sons tecnológicos que você nunca mais vai ouvir

A marcha que faz a tecnologia avançar tem uma batida específica. Hoje em dia temos alertas de mensagens personalizados e, num futuro muito próximo, pessoas dizendo “OK, Glass” a cada cinco minutos como um papagaio viciado em tecnologia, mas os sons mais queridos estão ficando de fora da banda marcial.

Os boops e bips da tecnologia passada podem ser usados para traçar a sua evolução. Do zzzzzzap da bobina de Tesla para o bip-bip-bip de código Morse sendo enviados via telégrafo, que antes eram os sons nerds mais importantes do mundo agora são apenas sinais históricos. Mas o progresso marcha para frente, e para cada grunhido irritantemente presunçoso do Angry Pigs (uma variação de Angry Birds) que temos que ouvir, mais longe ficamos do som da nave explodindo no Defender.

Vamos comemorar os gritos agonizantes do passado da tecnologia. Os sons a seguir ou se foram para sempre, ou definitivamente estão no caminho.

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A Batida do Telefone

Terminar uma discussão batendo o fone no gancho com raiva era tão incrivelmente satisfatório. Não havia melhor maneira de pontuar a sua frustração com a pessoa do outro lado da linha. E quando o telefone batia no gancho o clack de plástico contra plástico era acompanhado por um ligeiro toque do sino interno do telefone. Era assim que você sabia que estava realmente chateado – quando você bateu o telefone com tanta força que ele tocou.

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O Modem

Tente imitar o bip bip bip risss de um modem de 56k na frente de alguém com menos de 20 anos. Ele vai te olhar com a mesma cara que um cachorro faz quando você dá pra ele um livro de capa dura como brinquedo. Mas esses barulhos eram a primeira indicação de que você estava entrando, naquele tempo, em um maravilhoso mundo novo. Um mundo conectado onde informações (erradas na maioria das vezes) voavam soltas e você podia falar com amigos e estranhos ao mesmo tempo sem pagar uma enorme conta de telefone. Agora tudo é conectado e o acesso à internet é como eletricidade, tá ali. Mas houve um tempo em que o seu desejo de falar com alguém no IRC ou ver os seus e-mails, estava atrás de um aperto de mão mágico de sons e assobios, tudo vindo de uma caixinha plugada no seu telefone fixo.

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O Chiado da Fita

A fita cassete era o sistema padrão de entrega musical dos anos 80 até o meio dos 90. A fita tem alguns defeitos, mas era um formato barato e conveniente para capturar sons, além disso, seu princípio mecânico nos deu de presente “lixos sonoros” com uma rica memória afetiva. Oscilação de fita, por exemplo.

Mas em primeiro lugar, é o chiado que faz a fita cassete tão especial. Aquela névoa de um silêncio-não-total enche seus receptores de prazer e diz que algo incrível está ao alcance de seus ouvidos. O chiado estava lá para introduzir o riff inicial de “Smells Like Teen Spirit,” ou para servir de prelúdio para as batidas do bumbo de “Wanna Be Startin’ Somethin‘.” E no momento que o chiado desaparecia, você esperava pelo click do motor parando para se levantar e virar a fita. Ou, se você tinha um som automático, você só esperava até começar o lado B – o som que indicava que a festa nunca pararia.


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Avançando o Filme da Câmera

Enquanto o som do obturador de uma câmera vive como uma nostálgica pepita em seu smartphone, o som dos mecanismos avançando o filme não tem mais espaço no mundo digital. Depois de tirar uma foto com uma SLR, você tinha que avançar o rolo de filme com o dedão, empurrando uma alavanca da esquerda para a direita algumas vezes. O som da catraca era um indicativo de que a foto que você acabou de tirar estava sendo arquivada para mais tarde. De vez em quando você ouvia o som irritante dos dentes de plástico deixando passar as perfurações do filme, estragando o filme delicado e embaraçando o seu rolo inteiro, provavelmente de um jeito irreversível. Até quando o rolo avançava suavemente servia de lembrança para que você tirasse uma foto boa, pois o filme não tirava centenas de fotos como os SDs de grande capacidade que temos hoje.

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A Máquina de Escrever

A menos que você frequente os cafés mais hipsters da cidade, onde sempre tem aquele cara que acredita que a escrita dele é “muito melhor” graças a sua IBM Selectric, o tleck tleck tleck que definiu uma geração de escritores, se foi para sempre. Substituída só há duas décadas atrás pelo mouse e pelo teclado do computador, o ataque da metralhadora das máquinas de escrever  lembrava o fato de que cada letra, cada palavra, significava algo. Mesmo se você tivesse um modelo que apagava os erros com uma outra fita, a máquina de escrever ainda esfaqueava o papel novamente, lembrando que o erro era tão bom quanto as palavras que restaram. Sem deixar para trás o ding do sino de alerta e a batida da alavanca de retorno.

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Os Pulos dos CDs

Quando o Sony Walkman virou o Sony Discman, ele veio com uma tecnologia mágica anti-pulo que não funcionava assim tão bem. Os CD players, principalmente os portáteis, eram famosos por fazerem os CDs pular se você os movesse, ou batesse neles, ou se respirasse perto deles. Manchas na parte inferior de um CD também iria causar um comportamento errático. O resultado era um som de salto não muito diferente ao de um vinil sendo mal tratado por um demente viciado em metanfetamina. O CD repetia umas 20 vezes uma parte da música que durava apenas uma fração de segundo antes de passar para a próxima pequena porção de som.

Soava como o Max Headroom vomitando. Por outro lado, os arquivos digitais não pulam. Claro, se você “pegou emprestado” um arquivo da internet, ou se você extraiu o áudio de um CD riscado, você pode obter alguns ruídos aleatórios ou até mesmo uma música que simplesmente não toca. Mas isso nunca vai substituir a faixa techno dance secreta que você descobriu no meio de um CD sujo e velho do Skid Row.

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Assoprando o Cartucho da Nintendo

Às vezes você só quer jogar Metroid, mas a porcaria do Nintendo Entertainment System não carrega a fita. Então você tinha que assoprar o cartucho e enfiar de novo no console. Como mágica, Samus estava pronto para batalha. Mesmo tendo métodos diferenciados (assoprar direto no cartucho, assoprar nos ângulos, assoprar enquanto corria o cartucho pelos lábios), o uivo oco de sua respiração contra o slot cinza escuro de seu jogo NES pouco fez para fazer o jogo funcionar. Na verdade, ele provavelmente piorou as coisas, fazendo com que o seu cuspe deixasse tudo sujo.

Hoje os consoles e suas mídias óticas e downloads digitais não querem a sua boca nem perto deles. Esfregar pequenos círculos é a melhor maneira de fazer um disco se comportar. Passamos de assopradores de dente-de-leão para limpadores de boa prata.

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A Impressora Matricial

“Vamos imprimir um banner!” Os anos 80 e 90 foram tempos mágicos para publicações tipo DIY. Ao menos que você seja uma das poucas pessoas que teve acesso a uma LaserWriter, você está muito bem familiarizado com as impressoras matriciais e seu sistema de alimentação de papel. Enquanto o zzzzit zit zit zzzzit zit zit da impressora fixando a tinta no papel é memorável, você vai sentir falta mesmo é de destacar as tiras de furos do papel. Isso era tipo o plástico bolha da impressão. Você começava com um pequeno rasgo na linha perfurada e depois de separar o papel das guias, aí você podia puxar. Um pequeno som de srrrratch avisava que a sua impressora tinha sobrevivido e que logo você teria um desfile com fitas destacáveis.

Via.

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